terça-feira, novembro 30, 2010

Unidade de Polícia Pacificadora - UPP do Morro dos Macacos: O Movimento de Pacificação se expande no Rio de Janeiro...

Unidade de Polícia Pacificadora - UPP
O Movimento de Pacificação se expande no Rio de Janeiro...
O Governador Sérgio Cabral e o Secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro José Mariano Beltrame inauguram UPP do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, a 13ª unidade de UPP na cidade do Rio de Janeiro.

Criada Ouvidoria Especial para Casos de Abusos no Complexo do Alemão

Criada Ouvidoria Especial para Casos de Abusos no Complexo do Alemão
Ontem, após reunião do Subsecretário de Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro com moradores do Complexo de Favelas do Alemão, e diante das graves denuncias de que policiais estariam cometendo abusos de autoridade e promovendo saques a comércios da comunidade, o Comando da PM decidiu instalar uma ouvidoria especial para estes casos. Confira no endereço:
PM orienta como denunciar em caso de abusos de policiais militares >> http://www.twitvid.com/N2LKM
Somos favoráveis a apropriação, pelo Estado, do território e pela promoção da paz, mas não podemos aceitar que acorbertados por esta bandeira, agentes do Estado façam desmandos contra moradores daquela comunidade.
Nossa Polícia tem promovido inúmeros movimentos no sentido de se fazer uma nova leitura de sua atuação e não podemos deixar que atos isolados manchem a imagem destas instituições tão importantes em nossa sociedade.

domingo, novembro 28, 2010

Momento crítico no Rio...

Contribuições de Renato Cinco ao meu email...

Galera,
Gostaria de contribuir para que a atual crise do Rio seja encarada de forma crítica. Resolvi divulgar alguns textos que contribuem para uma compreensão da realidade carioca e brasileira para além do imediatismo midiático.
O extermínio de traficantes, o envolvimento das Forças Armadas e o sítio a uma população de 400 mil pessoas estão longe de ser solução, ao contrário acabam por reafirmar a prática da violação de direitos das populações mais pobres.
Tenho certeza que a leitura dos textos que estou enviando é um bom exercício de reflexão.
Abraços.
Renato Cinco.
 
Luis Eduardo Soares
A crise no Rio e o pastiche midiático
Sempre mantive com jornalistas uma relação de respeito e cooperação. Em alguns casos, o contato profissional evoluiu para amizade. Quando as divergências são muitas e profundas, procuro compreender e buscar bases de um consenso mínimo, para que o diálogo não se inviabilize. Faço-o por ética –supondo que ninguém seja dono da verdade, muito menos eu--, na esperança de que o mesmo procedimento seja adotado pelo interlocutor. Além disso, me esforço por atender aos que me procuram, porque sei que atuam sob pressão, exaustivamente, premidos pelo tempo e por pautas urgentes. A pressa se intensifica nas crises, por motivos óbvios. Costumo dizer que só nós, da segurança pública (em meu caso, quando ocupava posições na área da gestão pública da segurança), os médicos e o pessoal da Defesa Civil, trabalhamos tanto –ou sob tanta pressão-- quanto os jornalistas.
Digo isso para explicar por que, na crise atual, tenho recusado convites para falar e colaborar com a mídia:

Marcelo Freixo
Violência é caso para inteligência
Quero conversar com os demais deputados para chamar a atenção para algumas coisas que fogem a obviedade. É claro que a situação no Rio é uma situação delicadíssima, inaceitável. Todos nós sabemos disso, mas cabe ao Parlamento um debate um pouco mais profundo, do que necessariamente faz, ou fazem os meios de comunicação. E, nesse sentido, quero pontuar algumas coisas. Primeiro, a venda fácil da imagem de que o Rio de Janeiro está em guerra. Quero questionar essa ideia de que o Rio está em guerra
 
Eduardo Tomazine Teixeira
 
Unidades de Polícia Pacificadora: O que são, a que anseios respondem e quais desafios colocam aos ativismos urbanos? - 1.ª Parte
 Foi inaugurada, no dia 19 de dezembro de 2008, a primeira Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do município do Rio de Janeiro, na favela Santa Marta, na Zona Sul da cidade. Quais impactos elas trazem às favelas ocupadas? Que papel elas desempenham na produção do espaço urbano carioca e, finalmente, quais implicações trazem para a práxis dos ativismos urbanos? 
 
O jornalismo desonesto e o mito do “crime organizado”
O “Jornal da Globo” fechou com chave de ouro o dia de uma emissora empenhada em assustar e desinformar o público, enquanto outras emissoras e rádios acompanharam a tática do pânico. A velha técnica do “Mantenham a calma” seguido de imagens impactantes da violência no Rio de Janeiro é a melhor forma, do ponto de vista da cultura do medo que tenta se impor, de pôr em ação esse objetivo. É como você dizer “Fique à vontade” quando recebe alguém pouco conhecido em sua casa, provocando o efeito contrário. Neste caso é bem pior: trata-se do imaginário social de um conjunto de milhões de brasileiros que está em jogo. E neste caso há consequências políticas.
 
Rogerio Dultra dos Santos
Política de Guerra e Forças Armadas no Rio de Janeiro
Os enunciados da mídia televisiva reforçam a idéia da luta do bem contra o mal. A radicalização pretende justificar o retorno das Forças Armadas ao cenário político na cidade do Rio de Janeiro. Nada mais falacioso.
A possibilidade de radicalização da barbárie é infinita e o discurso iluminista que roga por dias melhores engana também ao acreditar no progresso constante e inflexível da vida social.

Leia mais: http://opasmado.blogspot.com/2010/11/politica-de-guerra-e-forcas-armadas-no.html

 
Max Gonzaga
Classe Média
 
Ponto de Equilíbrio
O que eu vejo

sábado, novembro 27, 2010

Uma sinalização de esperança...

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio (OAB/RJ), Wadih Damous, num ato digno de sua posição, se compromete a estar com os bandidos que eventualmente queiram se entregar e evitar o confronto no Complexo de Favelas do Alemão, garantindo a integridade física destes indivíduos.
Cadê o Marcelo Freixo?
Continua aqui a minha indagação sobre o paradeiro deste senhor defensor dos Direitos Humanos.

Discutindo o valor da vida...

João Silva *

Justifica deixar 140 mil habitantes nesta situação por conta de 600 bandidos? Isso me deixa triste e pensativo se vale a pena o enfrentamento. Se fossse em copacabana, estaria isso acontecendo ou as vidas seriam pensadas como possibilitadoras de uma situação diferente? A impressão que passa é que as vidas valem de acordo com sua condição sócio geográfica.

Uma única vida inocente posta em risco já justificaria uma não invasão policial no Complexo do Alemão.

Me deixa perplexo o silêncio do Deputado Freixo.

*Assistente Social
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Pronunciamento do Freixo na ALERJ sobre a situação do RJ

http://t1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTpHaKYOoJaqzlhMb9hNbM5sTW80U8xciz3vfjX4X6cSHdu3CDaSlwSCZSN4Q

*Violência é caso para inteligência *

Quero conversar com os demais deputados para chamar a atenção para algumas coisas que fogem a obviedade. É claro que a situação no Rio é uma situação delicadíssima, inaceitável. Todos nós sabemos disso, mas cabe ao Parlamento um debate um pouco mais profundo, do que necessariamente faz, ou fazem os meios de comunicação. E, nesse sentido, quero pontuar algumas coisas. Primeiro, a venda fácil da imagem de que o Rio de Janeiro está em guerra. Quero questionar essa ideia de que o Rio está em guerra.

Primeiro, que as imagens, as armas, o número de mortos, tudo isso poderia nos levar a uma conclusão da ideia de uma guerra. Mas, qual é o problema de nós concluirmos que isso é uma guerra, de forma simplista? Não há elemento ideológico: não há nenhum grupo buscando conquistar o estado. Não há nenhum grupo organizado que busca a conquista do poder por trás de qualquer uma dessas atitudes. As atitudes são bárbaras, são violentas, precisam ser enfrentadas, mas daí a dizer que é uma guerra, traz uma concepção e uma reação do Estado que, em guerra, seria matar ou morrer. Numa guerra a consequência e as ações do Estado são previstas para uma guerra. Hoje, inevitavelmente, o grande objetivo é eliminar o inimigo e talvez as ações do Estado tenham que ser mais responsáveis e mais de longo prazo.

É preciso lembrar que existem outras coisas importantes que temos que pensar neste momento. Primeiro, não precisa ser nenhum especialista para imaginar que as ações das UPPs teriam essa consequência em algum momento. Não precisa ser especialista para fazer essa previsão. Era óbvio que em algum momento, ou no momento da instalação, quando não houve, ou num momento futuro, uma
reação seria muito provável. Então, era importante que o governo estivesse um pouco mais preparado para esse momento. Dizer que está sendo pego de surpresa porque no final do ano está acontecendo isso não me parece algo muito razoável, porque era evidente que isso poderia acontecer.

Neste sentido, seria fundamental que, junto com a lógica das ocupações – eu não vou aqui debater sobre as UPPs, mas tenho os meus questionamentos –, acontecesse o incremento de um serviço de inteligência. Na verdade, o governo do Rio de Janeiro investe muito pouco no serviço de inteligência da polícia, investe muito pouco na estrutura de inteligência.

Vou dar um exemplo. Quem quer visitar a Draco, a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, portanto, uma delegacia estratégica? Se alguém tem alguma dúvida de que a Segurança Pública não faz investimento nos lugares devidos, vá a essa delegacia, que deveria ser muito bem equipada e estruturada, com boa equipe, bem remunerada, com bons instrumentos. Essa delegacia é uma pocilga, é um lixo! Ela fica nos fundos da antiga Polinter, na Praça Mauá, sem qualquer condição de trabalho para os policiais. Estou falando da Draco, da Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado, uma das mais importantes que tem o Rio de Janeiro.

Não adianta a Segurança Pública ser instrumento de propaganda política quando, na verdade, os investimentos mais importantes e necessários não são feitos nos lugares corretos, não atendem aos lugares corretos. Se o Governo do Estado do Rio de Janeiro investisse na produção de inteligência e na
inteligência da ação policial, certamente, muito do que está acontecendo – não totalmente, para ser honesto, mas muito do que está acontecendo – poderia ser previsto. A ação poderia ser mais preventiva do que reativa.

As ações emergenciais diante uma situação como essa, é evidente que precisam ser tomadas. É evidente que a polícia tem que ir para rua, é evidente que você tem que ter uma atenção maior, tem que haver a comunicação com o Secretário permanente com a sociedade, isso ele está fazendo, eu acho que é um mérito, acho que ele não está fugindo do problema, está debatendo, isso é importante. Mas nós temos também que perceber nesse momento o que não funcionou porque não adianta nesse momento a gente falar: “a culpa é da bandidagem”, isso me parece um tanto quanto óbvio, mas, o que de responsabilidade tem no Poder Público que falhou e que não pode mais falhar? Uma boa parte dos prisioneiros do chamado “varejo da droga” foi transferida para Catanduvas, o que, diga-se de passagem, é um atestado de incompetência do nosso sistema prisional que transfere para Catanduvas, porque no Rio de Janeiro a gente não consegue manter os bandidos presos, afinal de contas, há uma série de problemas: de limitações, de uma corrupção incontrolável... agora, transfere para Catanduvas e aí a solução e o diagnóstico dados pela Secretaria de Segurança é que partiu de Catanduvas a ordem para que tudo isso aconteça. Enfim, agora que o problema é de Catanduvas, a gente transfere os delinquentes para Marte?

Então, qual é a solução? O que está acontecendo de fato nesse momento? Essa juventude do varejo da droga nunca se organizou em movimento de igreja; nunca se organizou em movimento estudantil - até porque nem para escola boa parte foi -, nunca se organizou em movimento sindical; não é uma juventude que tem uma tradição, uma cultura de organização, não tem. Agora, querer achar que eles passam a se organizar e organizar muito bem, que representam o tráfico internacional? É uma tolice. Essa juventude é uma juventude violenta que só entende a lógica da barbárie e é com a barbárie que eles estão reagindo a essa situação que está colocada no Rio de Janeiro, está longe, muito longe de ser o verdadeiro “crime organizado”.

Fica uma pergunta: quantas vezes a polícia do Rio de Janeiro, em parceria com a Polícia Federal, em parceria com a Marinha, em parceria com quem quer que seja, fez ações de enfrentamento ao tráfico de armas na Baía de Guanabara? Quantas vezes a Baía de Guanabara foi palco das ações de enfrentamento ao tráfico de armas e ao tráfico de drogas? Nunca! Não é feito porque não interessa o enfrentamento ao tráfico de armas, o que interessa é o enfrentamento aos lugares pobres, que são mais fáceis, mais vulneráveis para que essa coisa aconteça, e ficam “enxugando gelo”. Quem é que vende esse armamento para esses lugares? São setores que passam por dentro do próprio Estado, todo mundo sabe disso. A gente precisa interromper um processo hipócrita antes de debater qualquer saída de Segurança Pública. Nós temos que, nesse momento de grave crise do Rio de Janeiro, discutir as políticas públicas de Segurança que não estão funcionando. Não dá para o Governo chegar agora e dizer: “está ruim porque está bom”, “está um horror porque estão reagindo a algo que está muito bom”. É pouco e irresponsável diante do que a população está passando. Nós temos que, neste momento, ser honestos e mais republicanos e admitir onde falhamos para que possamos avançar, num debate que não pode ser partidário, mas responsável, com a população do Rio de Janeiro.

sexta-feira, novembro 26, 2010

Um Rio em Alerta


Foto disponivel em: http://insightpublicidade.files.wordpress.com/2008/09/cadernoa002713.jpg
 Um Rio em alerta.
 *João Silva
Momentos difíceis no nosso Rio de Janeiro...
Tenho amig@s no Complexo do Alemão e eles estão muito preocupados com os rumos que tem se tomado naquela localidade. Temem que haja uma carnificina e que muitos inocentes sofram com tudo que tem acontecido. Não podemos criminalizar toda uma comunidade por causa de bandidos que lá estão.
Estes dias de violência em nossa cidade nos remove ao sentimento de insegurança, porém, esta mesma sensação de insegurança tem provocado um movimento de resposta das comunidades que vivem o pior deste momento e pedem mudanças – necessárias e urgentes – na resolução desta questão. Pela primeira vez pudemos perceber a população aplaudindo e recebendo os policiais como possibilitadores da promoção da estabilidade. Nunca policiais entraram nas comunidades tão bem recebidos quanto teem sido nestes dias. Um momento histórico pôde ter sido registrado ontem, quando os moradores ofereciam água aos policiais.
Repito que estes confrontos estavam previstos. Eram esperados – talvez não para tão próximo – e já havia, por parte da Segurança Pública do Estado do Rio de um planejamento para enfrentamento. O mais importante no momento, é garantir que haja uma redução de danos os moradores das comunidades – visto que sabemos inevitáveis – e de que o endurecimento no enfrentamento ao tráfico não se traduza no retorno a política do confronto.
O estado esteve socialmente ausente destas comunidades. O Estado é o principal responsável por tamanho desmando em nossa sociedade. Quando falo Estado, não culpo somente o Governo atual. Este governo tem sido o único a ter se movido de forma mais clara no sentido de dar um fim nesta situação de sítio destas comunidades socialmente desatendidas. Culpar o Governo atual sem se levar em conta o contexto de violações e descasos que as comunidades vivenciam ao longo dos tempos é não dar importância ao processo histórico de violações.
Sociedade, vamos nos unir para imprimir pressão social para que haja um esforço do Estado no sentido de que as vítimas inocentes sejam poupadas. Estou preocupado com as violações que sei que devem podem está ocorrendo ai. Eu seria imbecil se não reconhecesse que são possíveis acontecerem.
Precisamos garantir que os programas de policiamento com cidadania dêem prosseguimento. Nada de recuo.  O Programa UPP veio e precisa ser dado continuidade. O mais importante, reafirmo, é a manutenção destas mudanças de forma séria e compromissada com os Direitos Humanos. É claro que o Programa UPP não responde a tudo, mas é uma sinalização incontestável de possibilidades concretas de mudanças. Como bem coloca Clarice Lispector "o importante não é a velocidade das mudanças, mas direção em que elas se dão"... Assim sendo, acredito que a entrada da polícia é necessária para que a implantação das áreas sociais se instale. Depois de uma situação de apropriação social destas localidades, o policiamento ostensivo seria suficiente.
Se ficarmos trabalhando na visão do imediatismo, a visão da impossibilidade procede, mas acredito que impossíveis se diluem no tempo. Não acredito que precise dizer que tais mudanças levam tempo. Mudar culturas não se faz de um dia pro outro ou com uma canetada.

*Assistente Social
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